Garotas STEM: formando futuras cientistas

Este é o primeiro de uma série de artigos sobre os projetos selecionados para a chamada pública Garotas STEM, realizada pelo British Council em parceria com o Museu do Amanhã.

Escrito por Davi Bonela e Felipe Floriano

As áreas STEM, uma sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharias e matemática, são consideradas campos de estudo do futuro. Apesar disso, persistem obstáculos do passado e do presente, como a falta de oportunidades iguais para homens e mulheres. Os desafios percebidos no Ensino Superior, por exemplo, o fato de que apenas 35% das estudantes matriculadas nessas áreas sejam mulheres, segundo dados da ONU, na verdade já começam na Educação Básica, onde podem ser construídos estereótipos em torno da ciência e das mulheres que afastam meninas e adolescentes dessa carreiras científicas.

Por isso, o British Council em parceria com o Museu do Amanhã e o King’s College of London desenvolveram a iniciativa ‘Garotas STEM: formando futuras cientistas. Em sua primeira edição em 2021, esta chamada pública oferece apoio financeiro e técnico para doze projetos nas cinco regiões do Brasil que incentivam a participação mais ampla das estudantes do ensino fundamental e médio nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Com projetos de robótica no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, à computação, em Macapá, no Amapá, chamada pública beneficia mais de 7.600 meninas e adolescentes em onze estados do país

Ao todo, a chamada recebeu a candidatura de mais de 170 projetos das cinco regiões brasileiras. O número de candidaturas demonstra o empenho de escolas, universidades, museus e organizações não governamentais em incentivar as estudantes do ensino fundamental e médio a seguirem carreiras nas áreas STEM. Demonstra também a importância do apoio ao desenvolvimento desses projetos por meio de recursos financeiros e treinamento.

Por isso, além de critérios que analisavam a qualidade das propostas, a seleção levou em conta a oportunidade de estimular iniciativas em todo o país. O resultado é positivo. Os doze projetos selecionados ocorrem nos estados do Amapá, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, respectivamente nas cidades de Macapá, Vera Cruz, Uruaçu, São Luís, Dourados, Belém e Igarapé-Miri, João Pessoa, Maringá, Rio de Janeiro, Triunfo e São Paulo.

Juntos, esses projetos possuem o potencial de beneficiar mais de 7.600 meninas e adolescentes em contexto diversos. Por exemplo, o projeto Meninas na Ciência, vinculado ao Pólo Universitário de Igarapé-Miri, atua com meninas e adolescentes das comunidades ribeirinhas do Rio Murutipucu e Rio das Flores do Distrito Maiauatá. Já o projeto Akotirene Kilombo Ciência, vinculado ao Observatório Astronômico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com estudantes negras do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da Educação Escolar Quilombola urbana e rural do Rio Grande do Sul. Enquanto o projeto Peritech, vinculado à Redes de Desenvolvimento da Maré, atua com jovens moradoras do conjunto de 16 favelas da Maré, estudantes da escola técnica de nível médio em favela da cidade, Colégio Estadual Professor João Borges de Moraes. Todos os projetos selecionados estão no final deste artigo.

Recursos financeiros e treinamento potencializam os projetos

Photo by Christina @ wocintechchat.com on Unsplash

Os projetos contemplados pela chamada pública recebem apoio financeiro e técnico. Os recursos financeiros são utilizados na aquisição de bens e serviços que potencializam as ações realizadas.

“Muitas vezes, tivemos que contar com a colaboração de terceiros, da própria coordenadora e das alunas para a compra ou empréstimo de materiais para que as oficinas pudessem ser executadas. Com o auxílio financeiro, será possível a compra de materiais permanentes que auxiliarão na condução das oficinas de agora em diante”

— conta Patrícia Araújo, responsável pelo Meninas na Computação (MNC), o primeiro projeto de incentivo a meninas da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Mas os seus benefícios vão além, como explica Kelly Marques, responsável pelo Peritech.

“O impacto da iniciativa no nosso programa será no acesso a espaços públicos de conhecimento, nesse caso, de ciências, que até então não tinham a possibilidade de se aproximar por questões socioeconômicas. Essa viabilidade reacende não só sonhos esquecidos, mas também desperta novos sonhos nesse campo”, afirma.

Os coordenadores dos projetos também recebem apoio para desenvolver e aprimorar habilidades para ensinar ciências e implementar metodologias inovadoras. Esse treinamento ocorreu no STEM Education Hub — uma parceria entre o King’s College London e o British Council, para a promoção da cooperação entre Brasil e Reino Unido nas frentes de pesquisa, formação e inovação que busca incentivar o ensino, aprendizagem e difusão das ciências.

Conheça os projetos selecionados da chamada pública

Meninas na ciência: desenvolvendo o protagonismo e o engajamento das mulheres ribeirinhas | Igarapé-Miri — Pará

O projeto busca incentivar a participação e o engajamento na ciência de meninas e mulheres ribeirinhas do Ensino Fundamental e Médio que estudam na modalidade modular das comunidades ribeirinhas Rio Murutipucu e Rio das Flores do Distrito Maiauatá/Igarapé-Miri-Pará. Desta forma, reforçando o seu papel importante para o desenvolvimento científico e tecnológico na Região Norte Amazônica. A iniciativa tem o objetivo de verificar como está se dando a participação em atividades de natureza científica e tecnológica nas escolas da educação básica, propor ações para aumentar a participação e inserção das meninas nessas atividades e projetos, criar grupos de estudo e pesquisa para o desenvolvimento de ações que viabilizem sua participação em eventos, e promover visitas e excursões a museus e espaços relacionados à ciência.

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Peritech: arte, tecnologia, inovação e robótica na Maré | Rio de Janeiro — Rio de Janeiro

A Peritech é um projeto voltado para as jovens moradoras e estudantes do conjunto de dezesseis favelas da Maré. A iniciativa busca promover o acesso à tecnologia, arte e cultura como agentes de transformação social. Além disso, há oficinas de robóticas, articulação e mobilização com as meninas para a realização de ações sociais criativas e inovadoras nas comunidades, e fomento do interesse por conhecimentos científicos e tradicionais, estimulando habilidades para que as estudantes se reconheçam capazes, além de potencializar outras habilidades, como inteligência sócio afetiva, cooperação, criatividade e raciocínio lógico.

Acompanhe o Peritech nas redes sociais: https://www.instagram.com/peritech_/

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STEAMS: ciência, tecnologia, engenharia, arte, matemática e sustentabilidade, mecanismos para maior inserção de meninas da rede pública na universidade e integração com alunas da UFPA | Belém — Pará

O projeto STEAMS nasceu com dois principais objetivos, o primeiro é incentivar e proporcionar o crescimento pessoal e profissional das mulheres que cursam engenharias na Universidade Federal do Pará — UFPA. O segundo é incentivar meninas da rede pública do ensino fundamental e médio a cursarem as carreiras STEM. Desta maneira concilia-se a representatividade, incentivo para jovens, e ao mesmo tempo demonstra a importância da disseminação do conhecimento e do papel da mulher no desenvolvimento da sociedade e de tecnologias.

Acompanhe o STEAMS UFPA nas redes sociais: https://www.instagram.com/steams_ufpa/

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Cunhantaí: meninas na ciência e tecnologia |Dourados — Mato Grosso do Sul

O projeto Cunhantaí: meninas na Ciência e Tecnologia tem como objetivo despertar e aproximar jovens meninas estudantes da Educação Básica de áreas científicas e tecnológicas, consideradas historicamente e culturalmente como áreas não voltadas para mulheres. Seus objetivos específicos são: transformar o processo educativo das ciências ao integrar conceitos de interseccionalidade, gênero, classe, raça e etnia; oferecer curso online de Introdução à Eletrônica e Robótica; oferecer curso online de Nanotecnologia; oferecer encontros mensais para leitura técnica em inglês e conversação; promover Bate-papo online com cientistas mulheres que atuam nas áreas STEM; realizar levantamento de informações sobre Mulheres e áreas STEM no estado de Mato Grosso do Sul; integrar professores supervisores das Escolas participantes no Laboratório de Robótica e Impressão 3D da Escola Estadual Floriano Viegas Machado em Dourados; desenvolver projetos ao final dos cursos para apresentação em Feiras de Ciências, SBPC e seminários nas instituições proponentes; produzir material pedagógico para serem utilizados em disciplinas de ciências como Física, Química e Biologia; e produzir um documentário sócio-histórico-acadêmico da construção e formação dos grupos e seus caminhos durante o desenvolvimento do Projeto.

Acompanhe o Projeto Cunhantaí nas redes sociais: https://www.instagram.com/cunhantai/

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Akotirene Kilombo Ciência | Triunfo — Rio Grande do Sul

O principal propósito do projeto é promover a equidade racial na educação básica e, especialmente, na educação (escolar) quilombola, fomentando a participação efetiva de meninas negras quilombolas em carreiras STEM, por meio do diálogo intercultural entre estas trajetórias profissionais e os saberes e conhecimentos produzidos nos quilombos urbanos e rurais do Rio Grande do Sul, de forma que as garotas envolvidas no projeto adquiram ferramentas necessárias para sua inserção autônoma no mercado de trabalho, enfrentando os desafios estruturais do Brasil do século XXI.

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Meninas na Ciência da Computação: Despertando Vocações através do Conhecimento |João Pessoa — Paraíba

O projeto busca atrair as alunas da rede pública estadual de ensino médio da Paraíba para a área de ciência da computação através do conhecimento, contribuindo assim para a equidade de gênero e a redução das desigualdades. A iniciativa tem a estratégia de promover a interação das alunas do ensino superior com as alunas do ensino médio. As alunas do superior têm o papel de conduzir os cursos e oficinas, apresentando o conhecimento e, ao mesmo tempo, atuando como exemplos de sucesso ao conseguir ingressar em áreas consideradas masculinas.

Acompanhe Meninas na Ciência da Computação nas redes sociais: https://www.instagram.com/cunhantai/

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30 Dias de Ciência | São Paulo — São Paulo

O 30 Dias de Ciência ousa criar e inovar com uma imersão de um mês na pesquisa científica, despertando a curiosidade e a criatividade para que os jovens participantes evoluam e possam ser agentes transformadores da sociedade. O projeto visa apresentar e explorar etapas importantes no desenvolvimento de um projeto de pesquisa para estudantes de ensino básico de todo o Brasil, que pouco possuem contato com pesquisa e ciência. Na iniciativa, se estimula desde a concepção e inspiração até a elaboração e apresentação das ideias, utilizando a conexão com mentores que auxiliam a tornar tais propostas realidade.

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A PRÓ-MAR vai à escola |Vera Cruz — Bahia

A PRÓ-MAR Vai à Escola tem o objetivo primordial de estimular a ampliação da consciência ambiental, por meio de ações de sensibilização ecológica e comunicação científica, buscando incentivar as jovens das comunidades tradicionais a ampliarem o conhecimento acerca dos mais importantes ecossistemas da ilha de Itaparica: o manguezal e os recifes de coral. Através de oficinas, palestras e mentorias, a iniciativa auxilia na construção de projetos socioambientais, tendo a própria comunidade como protagonista de todo o processo, visando sempre a valorização de práticas que tragam a ciência cidadã como foco da resolução de problemas ambientais.

Acompanhe PRÓ MAR nas redes sociais: https://www.instagram.com/organizacaopromar/

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Sarminina Cientistas: Estimulando Meninas do Maranhão para as Carreiras de Exatas e Tecnologia |São Luís — Maranhão

O projeto fomenta a formação da cultura científica para meninas no campo das Ciências Exatas e Tecnológicas, em uma perspectiva que integra a mediação e difusão do conhecimento e o incentivo para frequentarem cursos de graduação na área. Além da função formadora na área de STEM, o projeto visa: atuar no ensino médio por meio de ações que promovam o contato precoce com as áreas de ciência e tecnologia, esclarecendo o papel e os aspectos positivos dessas carreiras; contribuir para a eliminação de estereótipos de gênero, no que se refere à atuação profissional feminina na área de STEM; incentivar a autonomia, a iniciativa e o senso crítico das meninas no que diz respeito ao seu potencial para seguirem carreiras, cursos ou profissões no âmbito das Ciências Exatas e Tecnológicas; capacitar estudantes do ensino médio para atuarem como mediadoras em processos de divulgação e difusão de conhecimentos nas áreas subjacentes às Ciências Exatas e Tecnológicas; tornar claras as perspectivas de sucesso através de profissionais-modelo; promover a visibilidade sobre como a carreira impacta e ajuda a vida das pessoas; e divulgar os Cursos de STEM para a sociedade Maranhense.

Acompanhe Sarminina Cientistas nas redes sociais: https://www.instagram.com/sarmininacientistas/

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Manna Academy: uma rede de estímulo à participação e à formação de meninas e mulheres para as carreiras de engenharias, computação e microeletrônica. | Maringá — Paraná

O Manna Academy, um projeto em desenvolvimento há mais de 20 anos, tem como propósito contribuir para o surgimento de uma nova geração de cientistas na área de computação, engenharia e microeletrônica. Além de atrair meninas para STEM e estimular o crescimento na carreira, fortalecer a presença feminina nos grupos de pesquisa emergentes e gerar talentos humanos no interior do Brasil.

Acompanhe o Manna Academy nas redes sociais: https://www.instagram.com/mannacademycm/

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Meninas na computação |Macapá — Amapá

O projeto Meninas na Computação, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), tem por objetivo despertar no público feminino o interesse pelas áreas da computação e engenharia, por meio do ensino de programação e eletrônica para o desenvolvimento de projetos de tecnologia. Além do oferecimento de oficinas, o projeto foca também em conversas e palestras para o entendimento da importância de incentivar mulheres e meninas.

Acompanhe o Meninas na Computação nas redes sociais: https://www.instagram.com/meninasnacomputacao/

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Meninas Cientistas: educação, protagonismo e enfrentamento às violências de gênero |Uruaçu — Goiás

O fundamento do projeto é a formação na área das ciências exatas e naturais, engenharia, computação, literatura e meio ambiente, mediada pelo protagonismo. Isso significa que as garotas participantes da ação serão formadas por outras meninas que atuam em diferentes áreas da ciência, ou seja, meninas formam meninas.

Por Davi Bonela, coordenador de Desenvolvimento Científico, e Felipe Floriano, analista de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã.

Em 2020, recebemos cientistas brasileiras em nossas transmissões ao vivo do programa Amanhã Aqui e Agora

Recebemos Jaqueline Goes, responsável por coordenar um grupo de trabalho para entendermos a origem do SARS-cov-2 e suas mutações, ajudando assim a possibilidades da busca por uma vacina. Assista: https://youtu.be/HybZ75h_EXs
Em agosto de 2020, recebemos Eliana Sousa Silva e Sueli Carneiro. Na conversa, elas abordaram a participação feminina no combate à pandemia. Vale a pena assistir!

Um museu de ciências que explora e questiona a época em que vivemos e os diferentes caminhos que se abrem para o futuro.

Um museu de ciências que explora e questiona a época em que vivemos e os diferentes caminhos que se abrem para o futuro.